TIME - 7 Things That Could Go Wrong on Election Day
É uma verdade lapalisseana afirmar que um processo eleitoral deve produzir resultados que estejam de acordo com a vontade dos cidadãos eleitores. Por outro lado, todos os cidadãos que, de acordo com a lei, fazem parte do universo de potenciais votantes, devem estar regularmente registados e ser reconhecidos nas urnas como tal.
Claro que sempre houve alguma tolerância (ou não, consoante quem analiza) em relação a eleições realizadas em países com fraco nível de desenvolvimento (económico, cultural e político), em democracias jovens, em países recém-saídos de conflitos ou guerras civis. O princípio base é (pelo menos do meu ponto de vista) que se aprende e melhora praticando, e que mais vale um resultado político mais ou menos enviezada do que o retorno a uma situação de conflito, com o seu cortejo de tragédias humanitárias.
Mas ninguém esperava o que se passou nos Estados Unidos nas eleições presidenciais de 2000: confusão, um sistema anacrónico e propiciador de fraudes, cadernos eleitorais mal enjorcados e à mercê da arbitrariedade das autoridades estaduais e locais, que discricionariamente “apagavam” milhares de eleitores das listas sob os mais variados pretextos, máquinas de voto pré-históricas (em que nem a leitura mais atenta dos suportes físicos permitia um consenso sobre em quem um dado eleitor tinha votado) ao lado de outras teoricamente super-modernas (as mal afamadas Diebold) que nem deixavam rasto de suporte físico, tornando impossível qualquer eventual recontagem. Como se disse na altura, pareciam as eleições no Burkina-Faso (não era necessário insultar.) Aconteceu em vários estados, mas foi mais notório e escandaloso na Flórida, governada pelo irmão de Bush Jr.
Sabe-se como acabou: os democratas e Al Gore a atirarem a toalha ao chão por esgotamento, e o Supremo Tribunal de Justiça a dar a presidência a Bush Jr.
Hoje há um acordo generalizado de que essa eleição foi roubada (e não apenas por Gore ter tido muito mais votos que Bush - isso é um resultado das regras do jogo). O mesmo aconteceu em 2004 (sendo o Ohio o estado mais em relevo) mas de forma um pouco mais sofisticada.
Mas (e estamos a 10 dias da eleição) os principais problemas permanecem, enquanto outros surgiram, como se pode ver notrabalho da TIME que linkamos acima.

Belíssima foto-pergunta, tomada de empréstimo ao Random Precision e a Luís Grave Rodrigues. E vale a pena ler o post.
Einstein subiu até ao topo do Monte Sinai para falar com Deus com maior proximidade.
Olhando para o alto, pergunta ao Senhor…”Deus, o que significa para ti um milhão de anos?”
O Senhor responde, “Um minuto.”
Einstein pergunta, “E o que representa para ti um milhão de euros?”
O Senhor responde, “Um cêntimo.”
Einstein pergunta, “Podes-me dar um cêntimo?”
Responde o Senhor, “Espera só um minuto.”
[Retirado do Humanist Network News]
PONTE EUROPA: A crise financeira e a recessão
A crise financeira e a recessão
Com a mesma facilidade com que os excelsos peritos mundiais lançaram um terramoto nos mercados financeiros garantem agora os especialistas que a tempestade já passou.
Compreende-se a piedosa intenção de tranquilizar os cidadãos que sofrem a borrasca e esperam sobreviver à intempérie, mas os tempos são de instabilidade e o futuro incerto.
Vale a pena recordar, perante o caos assustador dos mercados financeiros, a reacção dos principais dirigentes mundiais. Bush ficou em estado de choque, tal como no longínquo 11 de Setembro, até que o seu secretário de Estado, co-responsável pela tragédia, propôs o plano de 700 milhões de dólares que chumbou no primeiro exame, passou com deficiência no recurso e não resolveu o problema. Era um xarope amargo, criado por Henry Paulson e vendido por Bush, responsáveis pela doença, a pagar em prestações suaves pelas próximas gerações de contribuintes.
Na Europa, enquanto os cúmplices da tragédia, recolhiam magníficas recompensas e as vítimas começavam a perder os empregos e as poupanças, os principais dirigentes políticos pareciam baratas tontas a hesitarem entre o salve-se quem puder e a resposta concertada dos Estados.
Foi perante a ansiedade e desorientação da Europa que apareceu um plano coerente e exequível, da autoria do melhor ministro das Finanças inglesas das últimas décadas, Gordon Brown, que, com a intuição da senhora Angela Merkel, foi acolhido pela União Europeia e aproveitado pelos EUA.
Nicolas Sarkozy e Durão Barroso, oportunistas, quiseram pôr-se nos bicos dos pés e apanhar o comboio do mérito, embora de futuro incerto. Rumaram aos EUA para andarem de jipe, guiados por Bush. Pareciam dois agentes funerários em conversações com um coveiro, à espera do despedimento. Foi o último acto de vassalagem que prestaram ao xerife do Texas.
Este documentário da AlJazeeraEnglish, transmitido em Agosto do ano passado.Em retrospectiva, alguém acha que não era previsível o que aconteceu pouco mais de um ano depois?
A equipa de futebol albanesa é (justamente, pelo menos até agora) considerada uma equipa menor no contexto do futebol europeu, apenas um pouco acima de Andorra, Lichtenstein, etc.
Ontem, essa equipa jogou durante 50 minutos com apenas 10 jogadores, enquanto a equipa portuguesa manteve os seus 11 jogadores (alguns dos quais dos mais bem pagos do mundo).
A equipa albanesa teve sorte? Também teve. Mas fez o seu jogo, não poupou esforços, soube anular os seus oponentes, e num ou noutro contra-ataque até causou algum perigo.
É também certo que o guarda-redes albanês teve algum trabalho, enquanto Quim podia ter levado um sofá para a baliza.
Faltou Deco? É certo. Mas nenhuma equipa que se respeite pode apresentar essa desculpa. Estavam convocados uns 20 jogadores.
Faltou equipa, foi o que foi. E talvez fosse bom não se endeusar antecipadamente alguns jogadores só porque são “habilidosos”. O futebol é um jogo de equipa. E é o seleccionador que tem de formar a equipa.
E também não fica bem ao presidente da federação, na iminência do desastre, ausentar-se das bancadas para parte incerta a 4 minutos do fim.
Paul Krugman Wins Economics Nobel
Quando questionado hoje de manhã sobre se achava que a atribuição do prémio ia acalmar os seus críticos, Krugman disse que não: “Penso que já aprendemos isso quando vemos os escritos de Joe Stiglitz. Não notei que ele tenha tido uma vida calma. As pessoas apenas dizem, “Claro, ele é um grande laureado Nobel e é muito esperto, mas ele ainda não sabe de que é que está a falar nesta situação”. De certeza que vou apanhar com a mesma coisa”.
Krugman e Stiglitz (nobelizado em 2001) são dos economistas que melhor têm interpretado a actual crise, e dos que ao longo dos anos foram criticando o tipo de medidas que a permitiram.
Não deixa de ter um certo sabor que o Nobel seja atribuído a Krugman (cujo blog no New York Times tem por título The Conscience of a Liberal), poucos meses antes antes de Bush Jr. (ou “whatsisname”, como Krugman lhe chamou na sua crónica da semana passada) abandonar a Casa Branca pela porta baixa,
…e também a posição ambígua e timorata de Obama. Ambos faziam bem em ouvir o que dizem dois conselheiros republicanos de McCain (George Schulz e Henri Kissinger), com muita experiência nestas lides, e que não têm propriamente fama de conciliadores.
…com Pacheco Pereira:
Reconhecimento do Kosovo: uma política errada e perigosa
Tudo indica que o Governo português vai abandonar uma das suas
raríssimas manifestações de individualidade em relação à União Europeia
em matéria de política externa e reconhecer o Kosovo como país
independente. Os grandes partidos
europeus, o PSE e o PPE, alinham nesta decisão e, em Portugal, o PS e o
PSD vão certamente apoiá-la. É, no entanto, uma decisão errada, uma a
mais numa sequência desastrosa de decisões erradas na política externa
europeia que conduzem a becos sem saída e ao agravar das condições de
instabilidade na Europa Central e do Leste.Portugal tinha sido
um dos poucos países europeus a resistir à corrida pelo reconhecimento,
liderada pelos EUA e com resposta pronta dos países que dominam a UE
(França, Alemanha, Reino Unido). ( Eu elogiei as reservas portuguesas quanto ao reconhecimento do Kosovo. Seria interessante saber o que mudou.)
Não são claras as razões por que o fez, embora tenha de se reconhecer
que quer o Presidente da República, quer o ministro dos Negócios
Estrangeiros, dizendo pouco, diziam certo, porque chamavam a atenção
para os riscos deste reconhecimento como precedente e legitimação para
outros movimentos de secessão. Presumia-se que falassem do Cáucaso, mas
sabia-se que pensavam também em Espanha, outro dos países que não
reconheceram o Kosovo, por óbvias razões de precedente para os
separatismos basco e mesmo catalão. Esperava-se que Espanha contasse
para a diplomacia portuguesa, mas que não fosse apenas a Espanha a
contar. A guerra georgiana e o reconhecimento unilateral da Abkházia e
da Ossétia pela Rússia mostram os enormes riscos desta política, que
pode ainda alastrar-se à Moldova e mesmo à Ucrânia.Acresce que
a independência do Kosovo, separando um território internacionalmente
reconhecido como fazendo parte de outro país, a Sérvia, é ilegal à luz
do direito internacional e nunca será legitimada pelas Nações Unidas.
Se fossem outros os interlocutores, haveria por cá um clamor por mais
esta “violação do direito internacional”, mas com os dois maiores
partidos a concordarem, vai ser mais um assinar de cruz numa decisão
“europeia” que nos escapa.O Kosovo, um protectorado da União
Europeia e dos EUA, é mais um “país” independente, sem viabilidade
económica, sem autonomia política em relação aos seus patronos, na
prática anexada a uma paupérrima Albânia, no centro de um dos mais
profícuos centros de tráfico de tudo, mulheres, drogas, armas,
mercenários para todos os terrorismos, sede de todas as máfias que
actuam com esses produtos. Não é segredo para ninguém, toda a gente
sabe. Sabe também que existe uma minoria sérvia que não reconhece a
independência e que não participa no processo político do Kosovo e que
pede a anexação com a Sérvia, ao mesmo tempo que actua como outras
minorias ainda estabelecidas nos Balcãs como a Republica Serpska onde
também o Governo da Bósnia não tem poder. Em todas estas situações
permanece o potencial de conflito para o futuro, o que obriga a uma
permanente estadia de tropas internacionais e a uma capitis diminutio em matérias fundamentais para a soberania, como a justiça, a polícia, a defesa e a política externa.
Esta
situação é mais um passo numa política errada que nos Balcãs acentuou
sempre a crise endémica após o fim do comunismo jugoslavo, misturando
irrealismo, ignorância das condições históricas do conflito, com uma
efectiva incapacidade para ter aquilo que conta no terreno nestes
conflitos: ter força militar e vontade para a usar. E neste caso, por
ironia, um seguidismo em relação à política americana para a região,
onde os EUA têm dos últimos aliados, incluindo um membro da Liga
Islâmica, a Albânia.(…)
Começa porque os principais países europeus e os EUA têm uma enorme
responsabilidade no descalabro dos Balcãs, desde o desmembramento da
Jugoslávia até aos dias de hoje. Foi a Alemanha que, decidindo
unilateralmente reconhecer os “países” que se separaram da Jugoslávia,
retomando, aliás, ligações tradicionais que vinham da II Guerra
Mundial, oficializou o fim da Jugoslávia e abriu caminho à guerra
civil. Verdade seja que provavelmente o desmembramento da Jugoslávia
seria inevitável, mas a decisão precipitou a guerra civil ao favorecer
a corrida às fronteiras e as limpezas étnicas que um pouco por todo o
lado se verificaram e os massacres que as acompanhavam. Embora pouco
lembrada, a maior dessas limpezas étnicas atingiu os sérvios da Krajina
e não os croatas, nem os bósnios, nem os kosovares. Como é com os
sérvios, ninguém quer saber.
Ouço na TSF que o secretário para as relações internacionais do PS, José Lello, afirmou que é inevitável que proximamente Portugal reconheça a independência do Kosovo. E porquê? Porque essa é a posição que os nossos parceiros da NATO e da UE vão tomar ou já tomaram.
Será por acaso que essa afirmação é feita depois de a líder do PSD, após uma reunião com o Presidente da República, ter elogiado o governo por NÃO ter reconhecido essa independência?
A mão invisível do império é de facto muito longa, ajudada pelas suas extensões na Europa. Faz-se a limpeza étnica do Kosovo (no sentido inverso ao que se dizia combater), reconhece-se a sua independência, incentiva-se cada vez mais países a aderirem à Nato (sobretudo se estiverem nas franjas fronteiriças da Rússia), colocam-se rampas de mísseis em dois países da UE (e tenham vergonha na cara, obviamente que não têm nada a ver com o Irão) e o que diz Portugal, membro de pleno (?) direito daquelas organizações? Não diz nada até os outros dizerem. Depois diz o mesmo.
Será? Está José Lello a preparar o terreno para alguma coisa, ou falou por falar?
OK, we are a banana republic - Paul Krugman - Op-Ed Columnist - New York Times Blog
For now, I’m just going to quote myself:
So what we now have is non-functional government in the face of a major crisis, because Congress includes a quorum of crazies and nobody trusts the White House an inch.
As a friend said last night, we’ve become a banana republic with nukes.
Desde criança sempre foi um dos meus actores favoritos. Lembro-me de em miudo tê-lo visto em westerns (os preferidos na altura) e melodramas de que não me lembro o título. A IMDB ajuda pouco nestes casos. Continuei sempre a ver os seus filmes, com maior ou menor qualidade.

A imagem é de Cool Hand Luke (como é que me lembro do nome original e não do nome que lhe deram em Portugal - e em Angola, que foi onde eu o vi). Quem viu este filme não se esquece da aposta feita por Luke na prisão de que conseguiria comer 50 ovos cozidos - aposta que ganha.
Eu também penso que o eleitorado estará mais interessado em saber os pontos em que Obama NÃO está de acordo com McCain.Perante a condescendência e a ignorância de McCain (sim, ignorância, apesar de não tanta como a de Bush Jr.), se Obama não jogar ofensivamente, quem ganha é a casa.
…este post de Pedro Picoito sobre o drama vivido ontem numa escola finlandesa, em que um aluno matou nove colegas, suicidando-se a seguir. Sendo os infelizes campeões desta trágica tendência os Estados Unidos, o que é que o socialismo e as aulas de educação cívica têm a ver com o assunto?
O Cachimbo de Magritte: Paraíso frio
…que, se fosse dada por alguém na Europa (por exemplo, em Portugal), lhe valeria o (mais que batido) labéu de anti-americano.
Bobby fala do conservadorismo de Goldwater e mostra que ele não tem nada a ver com os neocons, fala do respeito à constituição, (desde as suas interpretações iniciais por Washington, Jefferson, Madison e Adams), da tortura e da “extraordinary rendition”, fala da falta de informação do americano médio (”somos o povo mais entretido e o menos informado”) como resultado do quase monopólio dos media de direita (ou simplesmente conformistas) e da quase ausência de media alternativos.
McCain armou-se em paladino da luta contra a crise financeira, dizendo que se fosse ele a mandar despedia o presidente da SEC (o equivalente - em XL - da nossa Comissão do mercado de Valores Imobiliários), Christopher Cox. Para além de demagogicamente passar uma esponja por décadas do seu envolvimento no sistema que desregulou os mercados financeiros - e outros - McCain não hesita em começar desde já a varrer Bush Jr. e os seus capangas para debaixo do tapete, pois não são companhias recomendáveis nestes tempos.Obama responde.
- Maria Bethania E Gal Costa – Sonho Meu
- Lou Donaldson – One Cylinder
- Art Tatum – Tiger Rag
- Andrew Hill – Subterfuge
- Jackie McLean – Love and Hate
- Tina Brooks – The Ruby And The Pearl
- Sonny Stitt – Indiana (Second Version) (Live)
- Johnny Griffin – I Remember You
- Blue Mitchell – Perception
- Johnny Hodges – Castle Rock
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